Trechos do livro - Provocações
Filosóficas – Mario Sergio Cortella
15.ed.Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.
O sempre surpreendente Guimarães
Rosa dizia: “o animal satisfeito dorme”. Por trás dessa aparente obviedade está
um dos mais fundos alertas contra o risco de cairmos na monotonia existencial,
na redundância afetiva e na indigência intelectual. O que o escritor tão bem
percebeu é que a condição humana perde substância e energia vital toda vez que
se sente plenamente confortável com a maneira como as coisas já estão,
rendendo-se à sedução do repouso e imobilizando-se na acomodação.
A advertência é preciosa: não
esquecer que a satisfação conclui, encerra, termina; a satisfação não deixa
margem para a continuidade, para o desdobramento. A satisfação acalma, limita,
amortece.
Por isso, quando alguém diz “fiquei
muito satisfeito com você” ou “estou muito satisfeito com seu trabalho é
assustador, O que se quer dizer com isso? Que nada mais de mim se deseja? Que o
ponto atual é meu limite e, portanto, minha possibilidade? Que de mim nada mais além se pode esperar?
Que está bom como está? Assim seria apavorante; passaria a ideia de que desse
jeito já basta. Ora, o agradável é quando alguém diz: “teu trabalho (ou
carinho, ou comida, ou aula, ou texto, ou música etc.) é bom, fiquei muito
insatisfeito e, portanto, quero mais, quero continuar, quero conhecer outras
coisas”.
Uma boa festa, um bom jogo, um
bom passeio, uma boa cerimônia não é aquela que queremos que se prolongue?
Diante dessa realidade, é absurdo
acreditar na ideia de que uma pessoa, quando mais vive, mais velha fica; para
que alguém quanto mais vivesse mais ficasse, teria de ter nascido pronto e ir
se gastando...
Isso não ocorre com gente e sim
com fogão, carro, geladeira...
Gente nasce não-pronta, e vai se
fazendo; a cada dia somos uma nova edição...
“O escuro aos poucos é claro”
disse Guimarães Roda...
Adorei este livro, por
isso resolvi compartilhar com todos os membros do Blog;
Precisamos de motivos,
precisamos de novos desafios a cada dia, temos que praticar a escutatória,
mudar nosso modelo mental, aprender a olhar e ver o que está sendo mostrado, sem
preconceito e prejulgamento é necessário sair da zona de conforto, assumir
responsabilidade e assim construir um mundo melhor. Ninguém pode dizer que fez
a sua parte, pois nada está terminado, podemos dizer sim, que estamos em desenvolvimento e participando
da construção de um mundo melhor a cada
dia.
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