sábado, 14 de setembro de 2013

Não nascemos prontos!


Trechos do livro - Provocações Filosóficas – Mario Sergio Cortella
15.ed.Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.

O sempre surpreendente Guimarães Rosa dizia: “o animal satisfeito dorme”. Por trás dessa aparente obviedade está um dos mais fundos alertas contra o risco de cairmos na monotonia existencial, na redundância afetiva e na indigência intelectual. O que o escritor tão bem percebeu é que a condição humana perde substância e energia vital toda vez que se sente plenamente confortável com a maneira como as coisas já estão, rendendo-se à sedução do repouso e imobilizando-se na acomodação.  

A advertência é preciosa: não esquecer que a satisfação conclui, encerra, termina; a satisfação não deixa margem para a continuidade, para o desdobramento. A satisfação acalma, limita, amortece.

Por isso, quando alguém diz “fiquei muito satisfeito com você” ou “estou muito satisfeito com seu trabalho é assustador, O que se quer dizer com isso? Que nada mais de mim se deseja? Que o ponto atual é meu limite e, portanto, minha possibilidade?  Que de mim nada mais além se pode esperar? Que está bom como está? Assim seria apavorante; passaria a ideia de que desse jeito já basta. Ora, o agradável é quando alguém diz: “teu trabalho (ou carinho, ou comida, ou aula, ou texto, ou música etc.) é bom, fiquei muito insatisfeito e, portanto, quero mais, quero continuar, quero conhecer outras coisas”.

Uma boa festa, um bom jogo, um bom passeio, uma boa cerimônia não é aquela que queremos que se prolongue?

Diante dessa realidade, é absurdo acreditar na ideia de que uma pessoa, quando mais vive, mais velha fica; para que alguém quanto mais vivesse mais ficasse, teria de ter nascido pronto e ir se gastando...

Isso não ocorre com gente e sim com fogão, carro, geladeira...

Gente nasce não-pronta, e vai se fazendo; a cada dia somos uma nova edição...

“O escuro aos poucos é claro” disse Guimarães Roda...

Adorei este livro, por isso resolvi compartilhar com todos os membros do Blog;

Precisamos de motivos, precisamos de novos desafios a cada dia, temos que praticar a escutatória, mudar nosso modelo mental, aprender a olhar e ver o que está sendo mostrado, sem preconceito e prejulgamento é necessário sair da zona de conforto, assumir responsabilidade e assim construir um mundo melhor. Ninguém pode dizer que fez a sua parte, pois nada está terminado, podemos dizer sim,  que estamos em desenvolvimento  e  participando da construção de  um mundo melhor a cada dia.

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